A pergunta “como conduzir nossas vidas?” é uma pergunta sobre qual vida viver e está no centro das investigações éticas de Aristóteles na Ética a Nicômaco. Tal pergunta parece não envelhecer, especificamente quando manifestamos, antecipadamente, decisões sobre cuidados médicos futuros a consentir ou a recusar, nas diretivas antecipadas de vontade (DAV), quando não formos capazes de decidir. A proposta desta investigação é abordar, filosoficamente, as DAV a partir da pergunta “como conduzir nossas vidas?”, admitindo três possíveis aproximações a aspectos da investigação ética de Aristóteles: 1ª) emoções e as DAV; 2ª) deliberação, escolha deliberada, phronesis e as DAV; 3ª) “Como conduzir nossas vidas?” e as DAV. Conclui-se que a) a finalidade da vida humana, admitida por Aristóteles, não é simplesmente viver, mas viver à maneira humana; b) a resposta à pergunta “como conduzir nossas vidas?”, considerando as categorias felicidade (eudaimonia), emoções, virtudes, sabedoria prática (phronesis), deliberação, escolha deliberada e ação, envolve também a resposta à pergunta sobre a morte e o morrer; c) A investigação ética de Aristóteles pode ser uma alternativa, ainda que limitada, para abordar as DAV sem o apelo necessário a regras morais.
Maciel Monteiro, J. D. D., Bonamigo, E. L. ., & Nunes, R. . (2026). “Como conduzir nossas vidas?” Diretivas antecipadas (DA) numa abordagem aristotélica: um ensaio. Acta Bioethica, 32(1), 9–18. Recuperado de https://actabioethica.uchile.cl/index.php/AB/article/view/83392