Esse manuscrito aborda a crescente complexidade da dependência digital, um fenômeno que compartilha características com outras formas de dependência, derivada de um prazer imediato que se transforma em necessidade. Através de uma perspectiva multidisciplinar, o texto explora fatores históricos, familiares e neurológicos que contribuem para este fenômeno, destacando o papel central do prazer digital. Além disso, levanta dilemas éticos ao debater se a dependência digital deve ser considerada um transtorno em si mesma ou uma manifestação de uma mudança humana. O presente trabalho amplia essa discussão ao incorporar uma articulação mais explícita entre neurociência, psicologia, bioética e estudos sociotécnicos, permitindo compreender a dependência digital como um fenômeno emergente próprio de uma ecologia digital desenhada para captar e reter a atenção do usuário. Além disso, aprofunda-se nas tensões éticas vinculadas a autonomia, vulnerabilidade, responsabilidade corporativa e privacidade, superando o uso generalizado e impreciso do conceito “dilema” e adotando um enfoque analítico que reconhece a complexidade moral do ecossistema digital contemporâneo. É proposta uma abordagem integradora orientada a equilibrar os benefícios e riscos do uso intensivo de tecnologias, promovendo práticas que favorecem um uso saudável e eticamente responsável.
Vega-Muñoz, A. ., Valdebenito Herrera, C. ., Blanco, O. ., & Contreras Barraza, N. (2026). Dilemas éticos e desafios na sociedade digital: um enfoque multidisciplinar sobre a dependência digital e a regulação tecnológica. Acta Bioethica, 32(1), 31–40. Recuperado de https://actabioethica.uchile.cl/index.php/AB/article/view/83394